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Mostrando postagens de abril, 2012
Toda vez que me deparo com uma porta me pergunto: como abri-la? Há portas de madeira, de concreto, de papelão. Para quê elas existem? Para dividir, para separar, para impedir. Podem separar ambientes, pessoas, paisagens, o público e o privado. Podem ser úteis e saudáveis. Podem ser desnecessárias e doentias. Toda vez que me deparo com uma porta me pergunto: para quê ela serve? Há portas grandes, pequenas, altas e baixas. Há portas que permitem uma certa visão, ou ao menos um prenúncio do que pode haver, do lado de lá. Há portas que não deixam nada passar, tornam-se intransponíveis e se vangloriam dessa característica. E, isso pode ser bom, assim como também, pode ser ruim. Toda vez que me deparo com uma porta me pergunto: quanto esforço será necessário para abri-la? A melhor maneira de passar para o outro lado é sendo recebido por quem já habita o lado outro. É ser convidado: a espiar, espreitar, tentar um pé, um braço, até o corpo inteiro passar, ou simplesmente, não. H...
  Um fim sempre abre espaço para um novo início!
A vida não é brincadeira amigo! Mas precisa ser levada, com leveza... Pois, justamente, por não ser brincadeira já se torna dura, que chega!
Quanto vale um sonho? E um espelho estilhaçado? E um reflexo ao contrário? E um fato descoberto? Quanto vale uma vida e um coração? Quanto vale o jogo? Quem afinal, ganha no final?
The Logical Song Supertramp When I was young It seemed that life was so wonderful A miracle, oh it was beautiful, magical And all the birds in the trees Well they'd be singing so happily Oh joyfully, oh playfully watching me But then they sent me away To teach me how to be sensible Logical, oh responsible, practical And they showed me a world Where I could be so dependable Oh clinical, oh intellectual, cynical There are times when all the world's asleep The questions run too deep For such a simple man Won't you please, please tell me what we've learned I know it sounds absurd But please tell me who I am Now watch what you say Or they'll be calling you a radical A liberal, oh fanatical, criminal Oh won't you sign up your name We'd like to feel you're Acceptable, respectable, oh presentable, a vegetable At night when all the world's asleep The questions run soo deep For such a simple man...
Havia lá um corpo estendido no chão. Ao seu redor, uma multidão. Com vários e vários pontos de interrogação, outros tantos, de exclamação. O corpo imóvel, já parecia frio, sem respiração. O povo a olhar, parecia não acreditar, que a morte pode assim tão de repente uma vida, açoitar. Aparece e desaparece, sem alardes criar, como um sopro a se perder pelo ar. Sim, pode deixar teu corpo na calçada, estendido como um qualquer, um desconhecido, um amontoado de pernas, pés e braços inativos, vazios, furtivos, partidos. A vida é breve e a morte, sua eterna passageira. Uma hora, com certeza, ela chega!
E aquele homem entrou no bar. E aquele homem tinha pernas curtas. Seu corpo todo era curto. Sentou-se a beira do balcão, auxiliou-se com os braços, também curtos, a subir no banco redondo. Endireitou-se, pediu uma bebida e deixou os pés balançarem pelo ar. Era um homem curto, não pequeno, curto. Assim como seu nome: Ary. E ali ficou Ary, sentado, pernas suspensas, olhar apreensivo, tronco apertado. Parecia procurar um lugar, um lugar para fixar seu olhar, algo que lhe chamasse a atenção ou, um passatempo qualquer, por qualquer tempo possível. Na realidade, estava inquieto, mas ainda não sabia. Só seu corpo sabia, seu curto corpo sentia que a pequenez de Ary se engrandecia com esse desconhecido desconforto. Logo ele perceberia, depois de alguns goles, que tudo tinha a ver com a partida de Maria, e com as mudanças no trabalho, e com as escolhas que fizera até ali ou, com nada disso. Como afinal, seu curto corpo o trouxera até ali? Tinha a sensação de que fora trazido, sem esco...
A vida vai triturar teus sonhos, como um moinho. O que restará? Pó. Pó de sonhos. Deve ser o mesmo pó de que são feitas as estrelas. Não são desse planeta, pertencem a outra dimensão. Cazuza interpreta Cartola - O Mundo é um Moinho
Acredito em conto, em cantos e encantos. Acredito em magia, em palavras e poesias. Acredito no que vejo, no que sinto e no que pressinto. Se tenho medo? Sim, sou humana, assim como todo humano é da natureza. Sou assim. Um misto de escândalo e pureza. Um minuto de brilho, outro de escuridão. Um passo decidido, outro tímido. Uma dúvida, uma direção. Acredito no que outros não acreditam. Atento meus olhos para que sejam olhos de ver e meus instintos para que sejam sentidos de Ser. Caminho, e entrego meu corpo todo a minha crença. Por acreditar que um dia, em um lugar minha fé vença, materializando-se em realidade e, finalmente me convença, que sempre existe esse algo que vale a pena e, que em um momento se eternize e permaneça .
Let's face the music, and dance...
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro Do que um pássaro sem vôos. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo: Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: Guarde o que quer que guarda um poema: Por isso o lance do poema: Por guardar-se o que se quer guardar. Antonio Cicero
Só Tenho Tempo Pra Ser Feliz Toquinho Me desculpem, amigos, Não tenho tempo a perder. Vivo e deixo quem quiser viver. Viver é correr perigo, A vida está por um triz. Tenho tempo só pra ser feliz. Vi formosos mundos por aí, Vi luares prateando o mar. Mas quando se está contente Qualquer cantinho da gente É o melhor lugar que há. Quem souber olhar em torno e ver Com os olhos sábios de aprendiz, Vai estar de bem com a vida, Vai achar uma saída, Vai um dia ser feliz. http://www.youtube.com/watch?v=STVb9WZmGy4&feature=related
Poeminha Sentimental Mário Quintana O meu amor, o meu amor, Maria É como um fio telegráfico da estrada Aonde vêm pousar as andorinhas... De vez em quando chega uma E canta (Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!) Canta e vai-se embora Outra, nem isso, Mal chega, vai-se embora. A última que passou Limitou-se a fazer cocô No meu pobre fio de vida! No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo: As andorinhas é que mudam.
Voa coração Toquinho Voa coração Que a minha força te conduz Que o sol de um novo amor Em breve vai brilhar Vara a escuridão Vai onde a noite esconde a luz Clareia seu caminho e acende seu olhar Vai onde a aurora mora E acorda um lindo dia Colhe a mais bela flor Que alguém já viu nascer E não se esqueça de trazer força e magia O sonho, a fantasia E a alegria de viver Voa coração Que ele não deve demorar E tanta coisa mais quero lhe oferecer O brilho da paixão Pede a uma estrela pra emprestar E traga junto a fé Num novo amanhecer Convida as luas cheia, minguante e crescente De onde se planta a paz Da paz quero a raiz E uma casinha lá onde mora o sol poente Pra finalmente a gente simplesmente Ser feliz.
  "Soneto do Corifeu" Vinícius de Moraes São demais os perigos dessa vida Para quem tem paixão, principalmente Quando uma lua surge de repente E se deixa no céu, como esquecida E se ao luar que atua desvairado Vem unir-se uma música qualquer Aí então é preciso ter cuidado Porque deve andar perto uma mulher Deve andar perto uma mulher que é feita De música, luar e sentimento e que a vida não quer, de tão perfeita. Uma mulher que é como a própria Lua: Tão linda que só espalha sofrimento Tão cheia de pudor que vive nua. http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/87330/
E na passagem das horas os dias se fazem... Seguros, singelos, passageiros. Viver nos dá uma segurança abstrata de que tudo permanecerá inalterado no segundo seguinte. A fragilidade da vida e da própria existência não nos permite vislumbrar os perigos que encobrem cada passagem. E isso, é uma benção! A benção da ignorância do segundo seguinte. Se não fosse assim, viver se tornaria ainda mais insuportável e isso, só nos demonstra o quanto é importante esquecer-se da vida para poder então, vivê-la!
Às vezes é preciso deixar o tempo agir. O tempo é preciso. Preciso em seu tempo. Preciso em seu agir. É preciso deixar, o tempo, agir.
O tempo escorre e, escorrendo se desmancha e, se desmanchando penetra na fresta fria do azulejo das paredes e ali  infiltra suas teses e seus argumentos. Desaparece. Deixa de ser, de fazer, de existir.
Minha pele ainda guarda, do teu corpo, o suor, a cor morena, o desejo de antes. Tenho ainda, entre meus dedos, os fios dos cabelos teus e, nos meus, o cheiro dos pelos e dos pelos em flor, o cheiro, de nós dois. Em meus olhos ainda vive, a procura do brilho dos teus. Em minha boca, o gosto do gosto, dos lábios teus, a procura dos meus. Não fuja de mim. Não desapareça. Sem perceber, sem querer, já sou, mais da metade, toda tua! Composição musical: http://www.youtube.com/watch?v=2P2hAZ6wMxg&feature=related
Quereres, dizeres, sabores e saberes. Te quero, e já não sei como pode ser, tentar ficar sem esse tal poder, de tão simplesmente, poder te querer.
Amores, encontros, corpos, respiros, suspiros. Palavras, perguntas, suores, olhares, adivinhações revelações, confissões, visões. Momentos, horas, segundos, partilhados, compartilhados. Corpos, desejos, vozes, vorazes, histórias, efeitos, refeitos, aceitos, perfeitos.
Aqui jaz quem um dia já fui. Ali atrás esconde-se quem um dia serei. E, nesse momento, sou apenas uma passagem, um às, uma viagem! Um átomo de ser a procurar uma nova e inesperada, imagem. Fecharei os olhos, sentirei com a alma, tomarei minhas decisões em minhas mãos e morrerei virando páginas pois é assim que um livro, e uma vida, se lê e se faz. Algo sempre fica, mas fica sempre, de um jeito diferente!
E, se for para voltar ao dia do parto... PARTO!!! Sem dó nem piedade, pois quem nasceu naquele dia já se foi e quem ficou ainda desconheço!
Estou em processo de nascimento. Parto. Para que um novo eu nasça. Sem fórceps ou cesáreas, dessa vez, quero que seja natural. Já posso sentir as contrações, as distenções, o canto escuro e a luz ainda obscura ao fim desse túnel. O que virá? Não faço a menor ideia! Verdade única é a de que nascer não basta! É preciso recriar, reciclar e refazer. E, para onde tudo isso nos levará? Não faz a menor diferença, pois a pior diferença sempre será a indiferença! Só sei de uma coisa: volta? Não há!
Seguem-se as noites, os dias, as tardes e os cinzas, é preciso seguir. Nesse momento é tudo o que consigo me dizer... é preciso seguir...parar de repetir, reinventar a vida, de um jeito novo, diferente, de repente, pode até dar certo, pode ser interessante, pode ser...de novo, de um jeito novo, pode estar premente, pode ser encantador, colorido, vivo, repleto de sorrisos, braços e abraços, laços, e finais felizes.
Sigo, persisto, alcanço e consigo. Em tempo exato, passado ou preterido. Na imperfeição do verbo dito. Palavras de tom e cor, palavras em negrito. O presente se pressente ao redor de meu umbigo.