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Mostrando postagens de setembro, 2011
Um instante Aqui me tenho Como não me conheço nem me quis sem começo nem fim aqui me tenho sem mim nada lembro nem sei à luz presente sou apenas um bicho transparente. Ferreira Gullar http://tvcultura.cmais.com.br/sanguelatino/videos
Vida. Que vida é essa? Vida essa que passa que sem dar sinal atravessa que faz rir e chorar e morrer, no final. Que vida é essa? Vida que guarda segredos que nunca se revela por completo deixando escapar pedaços peças e pedidos escassos, perdidos, espalhados refeitos. Que vida é essa? A vida que você vive que eu vivo que vivemos. Vida que não dá aviso Chega num susto e parte, num suspiro. Que vida é essa? Vida que esconde artimanhas enrreda armadilhas e nos salva por um triz do segundo segundo infeliz porque o primeiro, nunca nos pertenceu e jamais pertencerá, esqueça! Que vida é essa? Que tem cores, odores, sabores que se põe à mesa disposta e disponível para ser saboreada, como prato principal sobremesa e entrada. Vida? Que vida é essa? Repleta de perguntas, indagações e senões Vida curta, vida breve, vida louca Vida.
E eis que, finalmente,  adormecemos inverno e  amanhecemos primavera!
No céu, no mar, no chão onde existir,ou estiver, a possibilidade de haver o que procuro no lado escuro desse meu olhar.
Agora eu vou cantar pros miseráveis Que vagam pelo mundo derrotados Pra essas sementes mal plantadas Que já nascem com cara de abortadas Pras pessoas de alma bem pequena Remoendo pequenos problemas Querendo sempre aquilo que não têm Pra quem vê a luz Mas não ilumina suas minicertezas Vive contando dinheiro E não muda quando é lua cheia Pra quem não sabe amar Fica esperando Alguém que caiba no seu sonho Como varizes que vão aumentando Como insetos em volta da lâmpada Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde Vamos pedir piedade Senhor, piedade Lhes dê grandeza e um pouco de coragem Quero cantar só para as pessoas fracas Que tão no mundo e perderam a viagem Quero cantar o blues Com o pastor e o bumbo na praça Vamos pedir piedade Pois há um incêndio sob a chuva rala Somos iguais em desgraça Vamos cantar o blues da piedade Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde Vamos pedir piedade Senhor, piedade Lhes dê gr...
Assombra a sobra a sombra. A sombra da sobra assombra a sombra, a sobra. A sobra assombra a sombra da sobra. A sombra A sobra Assombra. Parte e assopra. Composição musical: http://www.youtube.com/watch?v=l9q8eVg2WtQ
Perseguem-me anjos e demônios Fantasmas de mim mesma escondidos entre as esquinas escuras e frias de ruas solitárias, úmidas, sem saída. Perseguem-me os sonhos e as fantasias Delírios que buscam preencher o espaço aberto, rendido em plenas praças e avenidas. Mendigo alimento, mendigo luz. Mendigo alento e cuidados com o pus. Sou o estranho de mim mesmo a suplicar suspiros, respiros retiros. Sou a alma aflita inflamada e recolhida. Em si mesma, retida.
Um novo lugar Procurei procurei, até encontrar. Cansei. Perdi-me, já não sei voltar. Para onde vou? Por quê vim? Sou o que sou,  sem mais, nem menos. Sem início, sem fim. Sentido? Sinto no corpo nada mais. Alegria? Assisto pela alma ou nunca mais. Procurei procurei, até encontrar. Um vazio absoluto um silêncio profundo onde eu possa naufragar. Se penso em resgate? Não sei lhe dizer... Penso em boiar. Braços abertos ao mar corpo submerso, olhar perdido no ar. Estou só, não sei ficar. Morrerei um dia, por perceber que simplesmente, nesse mar, não sei nadar!
O mundo,  esse dos homens,  me cansa! Correrias, decisões... um tempo que parece sempre,  perdido! Prefiro parar. E assistir ao tempo  do tempo. O tempo das nuvens que passam,  do sol que desfila durante a luz de cada dia  ou  se encobre  e de todos se esconde, num retiro nublado para apreciar o que o cinza  do olhar tem a lhe dizer. Prefiro o vento que sopra  e me surpreende a pele, e os ouvidos. Os diferentes tipos de verde  e o silêncio que me fala, (ou me cala?) (a)o coração. O mundo criado pelos homens me cansa. Não é um mundo que dá espaço à vida,  antes,  afasta-se dela  e ainda faz crer  que  em algum lugar, podemos sim,  encontrar algo a que possamos chamar: Felicidade.
Se a gente falasse menos Talvez compreendesse mais Teatro, boate, cinema Qualquer prazer não satisfaz Palavra figura de espanto Quanto na terra tento descansar Mas o tudo que se tem Não representa nada Tá na cara Que o cara tem seu automóvel E tudo que se tem Não representa tudo O puro conteúdo é consideração Não goza de consideração Congênito - Luiz Melodia
O céu é teu sorriso  no branco do teu rosto a irradiar ternura.  Quero que dispendas  de qualquer temor que sintas. Tens o teu escudo o teu tear. Tens na mão querida a semente de uma flor  que inspira um beijo ardente  um convite para amar. Menina da Lua - Maria Rita
Solidão, palavra triste. A solidão está em todos os lugares. Nas luzes da cidade, que se entregam à escuridão, permanentes ou intermitentes. Nos rostos das pessoas, sérias, pensativas, contemplativas ou distraídas. Solidão, palavra presente. Sou então uma pobre alma, solitária,  em busca de abrigo e aconchego. Como tantas outras... A diferença, está simplesmente, na ousadia que mantenho,  em denunciar,  em dizer, em escrachar, o não dito, o escondido, o que é "feio" e deveria ser escondido. Sou rebelde. Não escondo nada e esse é meu erro. Não sei jogar o jogo. Não consigo suportar por muito tempo... Vejo, sinto, percebo... preciso falar! Mas nesse jogo, não se fala. Se cala! Então, eis meu problema: não sei calar! Dê-me um comprimido, uma explicação, ou coisa qualquer que o valha, que me ajude a tapar o buraco que me faça atravessar um pouco a salvo. Vivo na solidão. A solidão dos que sabem e preferiam não saber. A solidão dos q...
Buscando o sentido O sentido acho, é a entidade mais misteriosa do universo. Relação, não coisa, entre a consciência e a vivência e as coisas e os eventos. O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir. Me recuso a viver num mundo sem sentido. Estes anseios/ensaios são incursões conceptuais em busca do sentido. Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa busca que é sua própria fundação. Só buscar o sentido faz realmente sentido. Tirando isso, não tem sentido. Paulo Leminski - Anseios Críticos