Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2010

O que fica do tempo

Entre um despertar e um adormecer do astro rei Eis que se fez morada em meu ser E tua presença em minh’alma se inscreveu No espelho algo parece mudar Um pouco de mim se transformou Pergunto-me então, se em ti, algo ficou Pois tal qual nau à deriva Encontro em meus pensamentos o retorno de coisas até então pensadas perdidas. Tão somente alguns momentos Marcados pelo tique-taque insistente do relógio Somando-se em poucas, mas adoráveis, horas Tempo suficiente para cambiar algumas histórias Revestir sonhos em pensamentos. Entregando aos olhos da alma fragmentos de vida e glórias Transfundindo sentimentos, travestidos em palavras Criando respingos de luz à aurora do tempo Lembranças adormecidas nas ondas do vento. 21/02/2010

Como a fruta em meu quintal

Como a fruta em meu quintal Entregue ao céu Grudada à terra Á mercê das intempéries Ao calor do sol, escaldante do verão Ou dos ventos frios que sopram fortes em noite de temporal Entregue às gotas da chuva, constantes, frias, refrescantes Amadureço ao ar livre Ganho cor, forma e sabor Participo do movimento da vida Tenho a pressa dos que sabem seu destino E a sabedoria dos que se entregam ao tempo Guardo sementes de mim em meu ventre Potencialidades de novas vidas Preenchidas de suco, aromas e cor Guardo em mim um presente para poucos Não escolho, sou escolhida Pelo vôo do pássaro ou pela mão que me colhe E cumpro enfim a tarefa final de minha vida Transformar-me em fonte, mais uma vez me entregando Ao desconhecido que de mim se atraiu Colhido no calor do dia 07/02/10

Dúvidas, não as tenho mais

Sou Ah, sim eu sou! Dúvidas? Não as tenho mais Dúvidas? Aprendi a dispensá-las, rir por entre suas garras, desviar de seus olhares Sou E só isso me importa agora. Duvidas? Ah, lamento por ti O caminho que percorri não foi fácil nem sereno Meus pés inchados, descalços, entregues Aos pedregulhos, ao lamaçal Duvidas? Acredite, continue a duvidar e verás, assim como eu vi O último passo rente ao penhasco, E ao sentir o vento soprando em teus cabelos Pare por um instante e poderás ouvir rente a tua nuca o sussurro doce, invisível e insaciável da morte a te incentivar o salto E, ao contrário do que esperas, não haverá sobressaltos, gritos ou platéia Estarás entregue somente a ti e ao chegar ali, lamento, mas a volta já te será impossível E então, quando não sentires mais o chão por sobre teus pés a viagem terá enfim seu início Achavas que era o fim... eu bem o sei... também achei Mas é preciso ir além, além do inglório presente É preciso quebrar cada osso do teu pobre corpo É preciso despeda...