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Mostrando postagens de novembro, 2010
Um coração machucado, que ainda tem coragem para amar, não é algo para se admirar... está mais para se espantar! Afinal, como pode? Como ousa? Depois de tantos cortes, ferimentos e cicatrizes... acreditar ainda e se entregar? O amor é louco! Louco, e pouco! Composição Musical: Caetano Veloso - Caminhos Cruzados http://www.youtube.com/watch?v=peytx6oX__c
Aqui, faço-me escrita à lápis. Sim, à lápis e não à caneta Aqui, faço-me cinza. Resto de madeira, sobra de fogo e brasa, Cinza. Aqui, componho-me enquanto suponho e me disponho Experimento, viro e amasso Mas, de alguma forma, deixo aqui registrado: meu verbo, meu ato, meu laço! Composição Musical: Norah Jones - Until the end http://www.youtube.com/watch?v=DV8tGsD8cno
Nesse exato momento Momento exato Passado a limpo, pelo passado Particípio futuro de um pretérito imperfeito Condicional de um presente, mais que perfeito!
Não te quero senão porque te quero, e de querer-te a não te querer chego, e de esperar-te quando não te espero, passa o meu coração do frio ao fogo. Quero-te só porque a ti te quero, Odeio-te sem fim e odiando te rogo, e a medida do meu amor viajante, é não te ver e amar-te, como um cego. Talvez consumirá a luz de janeiro, seu raio cruel meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego, nesta história só eu me morro, e morrerei de amor porque te quero, porque te quero amor, a sangue e fogo.     Pablo Neruda
Ai meu amigo, estou cansada... Cansada como poucas vezes já me senti. Cansada das aproximações interesseiras Cansada das risadas zombeteiras Cansada de não ser olhada nos olhos Da falta de respeito daqueles que, por não terem consigo mesmos, são incapazes de lançar um gesto ou uma palavra de aconchego. Cansei de cama de pregos. Estou farta de palavras que pouco dizem Farta das palavras que morrem antes de chegarem a meus ouvidos. Preciso me alimentar! Preciso de alimento, amor e ar... Há alguém por aí disposto a compartilhar? Ai meu amigo, estou cansada... Cansada de só Sem sol, sem sal, sem céu Só, e nada mais!
Segue o teu destino Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós próprios Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam Fernando Pessoa

Meus últimos 10 anos

Nos meus últimos dez anos... Separei-me Casei-me Separei-me novamente Iniciei minha vida profissional, com carteira assinada Fui contratada em meu primeiro estágio E demitida! Tornei-me coordenadora, gerente Pressionada por números e resultados Responsável por gente! Especializei-me, estudei, cresci, ganhei dinheiro Aprendi a jogar as regras do jogo Venci. E então, pedi demissão. Mudei-me mais de 5 vezes: apartamento, apartamento, apartamento, sobrado, casa. Paguei aluguel, vendi, financiei e comprei imóveis Quitei dívidas, minhas e de outros (e mais de uma vez) Paguei contas, tantas que já nem lembro mais Trabalhei muito, dormi pouco, amei o quanto pude, comi rápido, deprimi, troquei de carro, andei a pé, fotografei, dancei, lutei, chorei e adotei mais de 3 cachorros (1 de cada vez) Viajei e conheci pessoas, cidades, estados, trabalhos e estilos diferentes Abri uma empresa Fiquei só. Senti saudades. Amei muito! Perdi pessoas queridas Distanciei-me Aproximei-...

E depois, o que virá?

O que virá depois da curva, depois do verme, depois da cura? O que virá depois da onda, depois do sonho ou do jantar e da novela? O que há afinal, do denso escuro dos teus olhos, em teu estranho coração? E o que há de ser? O que há de ser do monstro sem o medo? Da longa sombra sem a forte luz? Do escuro, sem o seu claro? Da noite breve, sem o longo do dia? Desse sabor sem tua língua? E da tua língua sem minha boca? E depois do depois, o que virá? A tua boca anda oca, sem minha língua, sem minha língua. A minha língua anda à míngua, sem tua boca, sem tua boca. Exatos são teus olhos que me invadem e me relevam teu coração. Exata é a cor do teu desejo. A cor do teu desejo. Exatos são teus beijos que me acertam e a ti revelam meu coração. Exata é a cor do teu deserto. A cor do teu deserto. Exatos são teus beijos que me invadem e me relevam teu coração. Exata é a cor do teu deserto. A cor do teu deserto. Exatos são teus beijos que me acertam e a ti revel...
Pelos caminhos do mundo construo minha história E em meio ao turbilhão de tantas essências e ausências, Danço descompassada meu rock and roll E, avessa eu, às avessas, espero (em vão) a existência De algum tipo de permanência.
Se queres sentir a felicidade de amar,           Esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixe o teu corpo entender-se com outro corpo, Porque os corpos se entendem, mas as almas não. Manoel Bandeira - Arte de Amar Composição Musical: O Meu Amor - Chico Buarque http://www.youtube.com/watch?v=txLPlvkGiP4&feature=related

Quando já não tivermos olhos

Em algumas décadas, talvez, a Lua será obsoleta; e os amantes já não saberão apreciar a mutação das nuvens e o cantar do grilo em noite de lua cheia. O amor se derramará no vazio e não haverá passos delicados sobre a relva, nem suspiros ao leve toque da brisa. Quando nos cansarmos da paisagem, não fecharemos os olhos: desligaremos a TV. E nossa alma, então, poderá ser enrolada como um tapete gasto e atirada ao fundo do armário. De que nos servirá a alma quando já não tivermos olhos para a dança das nuvens e da Lua numa noite de primavera? Eduardo Alves da Costa Composição Musical: Hoje a noite não tem luar - Renato Russo http://www.youtube.com/watch?v=OyixbMjxF8E&NR=1&feature=fvwp

HORROR

                        Com os seus OO de espanto, seus RR guturais, seu hirto H, HORROR é uma palavra de cabelos em pé, assustada da própria significação. Mário Quintana 
Queria poder caçar palavras lançadas. Recuperar afetos dados. Inspirar suspiros perdidos. À toa, de boa, isso não me faz bem. Quero de volta, tudo que já dei.

"Bombeiro de Almas"

Emergência (Mário Quintana) Quem faz um poema abre uma janela. Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas tem ritmo para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado.
Prefiro-me assim. Assim, sim! Sem mais ou menos. Sem máscaras ou disfarces. Assim. Nua. Envolta pelos ares da busca. Despida das amarguras da vida. Suspensa pela fé. Coberta pelos pelos. Só!
Dentro de mim habita um monstro Um monstro verde Sem pele e sem cabelos Um monstro triste e raivoso Um anjo indignado Um anjo amaldiçoado Um monstruoso anjo, Verde, e manco!
Silêncio! Todos dormem. Por favor, mantenha trancadas todas as palavras. Por alguns instantes, deixe o momento sequestar seus pensamentos. Pensamos por palavras. Portanto, feche a boca. Inspire. Ouça. Silêncio!

Epílogo

Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma. Tudo agora está suspenso. Nada agüenta mais nada. E sabe Deus, o que é que desencadeia as catástrofes, o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe... Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca... Outras vezes senta uma mosca e desaba uma cidade. (Mário Quintana - 80 Anos de Poesia)
Se for chover, quero estar desprevenida, a caminhar Se o sol amanhecer, quero em minha pele seu calor a me aquecer Se um vento por aqui passar, quero que avente meus pensamentos todos (tolos) Se for nevar, que o frio chegue devagar E se for para amar Ah, se for para amar... Quero que seja bem pertinho ao mar Pois não sei mergulhar, sem me molhar.