Não tenho medo das rugas Tenho medo das amarguras Que com o passar do tempo, dos anos, dos sóis e dos ventos Avassalam a alma e ferem o coração já tão ferido É dor que de tanto doer, parece já nem doer mais... E se transforma em sentimento insípido, translúcido, indefinível Não tenho medo da celulite Tenho medo da caretice De não me surpreender mais com as pequenas coisas da vida De não me permitir mais um riso bobo, desajeitado, fora de hora Tenho medo do medo! De perder a coragem de arriscar De achar que já não posso perder o senso e a razão De cristalizar meus sentimentos Quero, na verdade A força para destruí-los todos E a teimosia necessária para reconstruí-los, sempre de um jeito inesperado Não quero perder a surpresa da vida Não quero o previsível e o certo Quero mais é mergulhar e jamais perder o brilho de sentir Que sempre é possível recomeçar.