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Mostrando postagens de outubro, 2009

Bem vinda seja, pois...

Não te quero falar da tristeza previsível, que nos chega no bojo, de um qualquer fatal incidente. Desejo que mergulhes comigo até onde poucos buscam a pérola negra desse sentimento raro, ao redor do qual parece crescer a carne da alma. Uma dor tão funda que se lhe resistimos o SER nos treme por inteiro, como que ameaçado de vertigem. De qual noite nos lembramos, repleta de sobressaltos, que se lhe possa comparar? De que rosto ousamos dizer: "É tão belo e terrível quanto a sombra que às vezes me visita e cujo toque me faz esmorecer como se eu estivesse nas vizinhanças da morte"? Nós, que tão fortes nos lançamos à conquista, mal nos atrevemos a balbuciar quando essa tristeza nos enlaça. É como se esperássemos uma revelação capaz de subverter nossa existência. Por isso, ela nos abala como um parto, ao qual nos submetemos, por isso, quando nos abandona, olhamos ao redor, como se buscássemos um fruto ou uma prova de que já não podemos ser os mesmos; de que uma florescência do Eter...

Palavras me faltam

As palavras agora me faltam Nada mais parece encontrar lugar em meus pensamentos, ou para além da ponta da pena nesse papel As letras que combino para escrever agora ou falar logo mais não me parecem mais as mesmas Soltaram-se dos contextos, voam livres pelo ar, capturo-as ao acaso, procuro combiná-las de alguma forma para que soem harmoniosas ou concisas, mas tudo isso me aparece agora como uma grande sucessão de equívocos O que escrevo, ou o que falo, me parece agora tão pouco... Nada mais, ninguém mais, nenhuma palavra a mais, ou a menos Nada se aproxima, tudo mais ou menos a não ser o que sinto, que me é inominável, assim como o que penso me parece incontrolável, indecifrável Cansei de encontrar sentidos e procurar por lugares em que meus sons possam ecoar, já ecoam por si, aqui, em mim, ao meu redor, em meus vazios, em meus abismos, em minhas cachoeiras O que vivo ecoa em mim, por entre minhas pedras, no vão de meus troncos ocos a procurar o azul do céu, que bem sei, ainda vive pa...