Não te quero falar da tristeza previsível, que nos chega no bojo, de um qualquer fatal incidente. Desejo que mergulhes comigo até onde poucos buscam a pérola negra desse sentimento raro, ao redor do qual parece crescer a carne da alma. Uma dor tão funda que se lhe resistimos o SER nos treme por inteiro, como que ameaçado de vertigem. De qual noite nos lembramos, repleta de sobressaltos, que se lhe possa comparar? De que rosto ousamos dizer: "É tão belo e terrível quanto a sombra que às vezes me visita e cujo toque me faz esmorecer como se eu estivesse nas vizinhanças da morte"? Nós, que tão fortes nos lançamos à conquista, mal nos atrevemos a balbuciar quando essa tristeza nos enlaça. É como se esperássemos uma revelação capaz de subverter nossa existência. Por isso, ela nos abala como um parto, ao qual nos submetemos, por isso, quando nos abandona, olhamos ao redor, como se buscássemos um fruto ou uma prova de que já não podemos ser os mesmos; de que uma florescência do Eter...
Nada mais há, a não ser, o que há.