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Mostrando postagens de janeiro, 2012
O perfume que perfuma essa noite é perfume de dama, dama da noite. Uma flor branca, pequena e estrelada, totalmente sem graça, quando isolada. Durante o dia, passa despercebida fecha suas pétalas não exala nenhum odor. É morta. Durante a noite, é dama, é figura faceira enquanto inúmeras iguais a ela abrem os braços em um verde tapete, estrelado. Seu odor embala e inebria segue a brisa espalha, exalta, muda a cor. É dama que na noite escura vem brindar, e com os humanos sentidos, brincar.
Amor é privilégio de maduros estendidos na mais estreita cama, que se torna a mais larga e mais relvosa, roçando, em cada poro, o céu do corpo. É isto, amor: o ganho não previsto, o prêmio subterrâneo e coruscante, leitura de relâmpago cifrado, que, decifrado, nada mais existe. Valendo a pena e o preço do terrestre, salvo o minuto de ouro no relógio minúsculo, vibrando no crepúsculo. Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência h erdada, ouvida. Amor começa tarde. Carlos Drummond de Andrade
Amar é ter a coragem! Amar é mais que espreitar, é estranhar. Sentir o corpo tremer sem frio o coração bater acelerado a voz calar e o peito sufocar. É estranhar... O rubor das faces e  o despertar dos desejos. É perder a noção do tempo É sentir-se triufante e temeroso. É estranhar... O desejo de possuir e de se entregar, e se perder, me perder, nos encontrar. Alcançar o êxtase sem o procurar. É encontrar a paz, transmitir a paz, viver em paz! É deixar que aflore. Perder o medo, cegar-se à escuridão e vislumbrar a luz. E finalmente, deixar de estranhar... Deixar o corpo vibrar, e o brilho da alma florir. É ser feliz sem razão. É mergulhar sem ver o fundo, abrir mão do que se tem para  viajar com o que se é. É ir sem bagagens. Descobrir e muito distribuir. É espantar-se... Vamos sem malas e voltamos repletos. E é preciso tornar a partir. Novo espanto! Coragem, amar é ter a coragem, de dizer sim, infinitas vezes... e partir. ...
Palavras... Por onde andarão minhas palavras? Abandonaram-me: o tempo, as letras, as frases... Silêncio! Por onde andarão meus sons e suas combinações? O que houve com tudo o mais que se foi? Olá! O que aconteceu? Você me ouve? Você me vê? O que houve, há você? Abro a boca e nada há. A não ser o hálito morno e úmido da doação de meu corpo a este mundo. E enfim, nada mais! Silêncio. Perderam-se as palavras e sua serventia. Silêncio. Resta apenas esse resto, de ventania. Enfim, epifania!
Não existe amor em SP Um labirinto místico Onde os grafites gritam Não dá pra descrever Numa linda frase De um postal tão doce Cuidado com doce São Paulo é um buquê Buquês são flores mortas Num lindo arranjo Arranjo lindo feito pra você Não existe amor em SP Os bares estão cheios de almas tão vazias A ganância vibra, a vaidade excita Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel Aqui ninguém vai pro céu Não precisa morrer pra ver Deus Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina Me dê um gole de vida Não precisa morrer pra ver Deus .
Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá pode ser cruel a eternidade eu ando em frente por sentir vontade Eu quis te convencer, mas chega de insistir caberá ao nosso amor o que há de vir pode ser a eternidade má caminho em frente pra sentir saudade Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá pode ser a eternidade má eu ando sempre pra sentir vontade. Marcelo Camelo e Malu Magalhães - Janta
Há um monstro a me habitar. Um monstro verde escuro, sujo de limo. Olhos grandes e vermelhos, com a boca bem aberta. Um monstro sedento e imprevisível. Ele se alimenta de mim. Devora meus pensamentos, mastigando-os bem devagar. Delicia-se com minha dor, pois é no sofrimento do medo, da ansiedade e da solidão que ele me ataca. Quer me enlouquecer... Conseguirá?
Toda vez que encontro uma parede ela me entrega às suas lesmas. Não sei se isso é uma repetição de mim ou das lesmas. Não sei se isso é uma repetição das paredes ou de mim. Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes? Parece que lesma só é uma divulgação de mim. Penso que dentro de minha casca não tem um bicho: Tem um silêncio feroz. Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra. Manuel de Barros
O flerte que não se conclui. O beijo que não se beija. O calor que não se sente. A palavra que não se fala. O ato que se cala. A vida que não se vive, MATA!
Ela segue. A passos firmes, e olhar fixo numa aparente certeza. Seus pés parecem saber para onde a guiam enquanto seus pensamentos se perdem e se esvaem, rumo ao infinito. Nesse instante, nesse exato instante em que o chão toca a planta de seus sentimentos, a cada passo que sente o piso duro e frio seu coração a abandona e se afasta. Parte, mais uma vez se vai, cria distância. Instala-se o vácuo e o vazio, o abismo entre o ser e o sentir. Seu corpo segue, enquanto sua alma fenece.
Clarice tem um sonho. Clarice sonha em ser mãe. Seu sonho está sendo construído, dia após dia. Todas as suas ações entrelaçam-se para esse fim. Mas Clarice também tem medos e receios, mas deles, procura não se ocupar. Quando surgem, corre ligeira para o armário, abre a gaveta do meio e fica a contemplar e alisar as roupinhas já compradas, lavadas e passadas. Ocupa então seus pensamentos com o que ainda não existe, com o que ainda não pertence ao seu presente: um sonho, um desejo, uma expectativa, uma realidade inexistente. Assim o tempo passa, o presente passa e enquanto nada acontece ao menos Clarice está ocupada, e isso lhe traz a agradável sensação de que a possibilidade do caos, que por vezes lhe assombra o olhar, foi descartada, e então cada coisa permanece em seu lugar, exatamente como a vida deve ser.
Há um transbordamento de marés Há uma lua cheia a se desvelar Há desejos descabidos a se propagar Há um passo e um retorno Há o receio de avançar, e a esperança de seguir. Sei lá... Sei lá... Nessas horas o melhor cuidado é o silêncio Nessas horas o melhor silêncio é o cuidado E ponto final, ou reticências, vírgulas ou exclamações. Afinal, qual a correta pontuação? Tudo é dúvida e incertezas, em passos vãos um pouco cegos, um pouco surdos e um tanto tolos. Afinal, deixar a novidade entrar na vida da gente é assim... Ambíguo e lindo, mas sempre temoroso. http://www.youtube.com/watch?v=4wegmGMUunk&ob=av2n
Deixa o coração ter a mania de insistir em ser feliz se o amor é o corte e a cicatriz pra quê tanto medo? se esse é o nosso jeito de culpar o desejo.