Sou uma pobre alma Governada por impulsos e sensações que me são desconhecidos Caminhos que se fazem em mim Tortuosas águas que me arrastam em suas correntezas. Sou uma pobre alma A naufragar num oceano de angústias e desejos. Uma alma perdida nas esquinas Ancorada em pedras passadas, envolta pelas algas e o limo, do tempo. Sou uma alma nobre Com viva nobreza de pele Uma alma encoberta pelo pó. Bela, amarga, doce, rosa e só. Sou uma alma repetidamente atravessada Pelo amor, pelo ardor, pela dor. Sou um quê de indagação por essa vida Não a compreendo. Ousadia, ousada, ousar! Não a dirijo, apenas sigo. Não a enxergo, apenas sinto Sua existência, seu perfume, sua essência. Suas cores. Azul marinho, aroma da noite Terra molhada Maresia Transparência e vapor d’água Cachoeira Verdes folhas Vermelho, Fogo e incandescência. Sou uma pobre alma A vagar A passar, pela vida. Solta, absorta, tonta e por escolha, decididamente Viva!
Nada mais há, a não ser, o que há.