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Mostrando postagens de julho, 2010
O tempo me fez deixar de acreditar nas palavras Elas podem dizer muitas coisas, e por poderem dizer muito, também dizem nada! Acredito somente no que vejo, no que sinto, no que me atravessa sem pedir permissão Aprendi a prestar atenção no inaudível da sua voz, no intangível do seu corpo Aprendi a acreditar em mim e não posso mais me enganar... Talvez desilusão Talvez não Talvez salvação Talvez não Talvez perdição Pois, que seja então!

Sou mulher

Não sou mais menina, sou fêmea, feminina... Não sou mais aquela que sonhava acordada, trancada no quarto, olhando o vazio da paisagem pela janela e preenchendo os espaços de hálitos de solidão Não, não sou mais a criança perdida, procurando pelo abraço esquecido, pelo adulto no fim do corredor Sou mulher, sou alma inquieta, sou pessoa incompleta à procura de mais, à demais, em procura. Mas guardo no presente, resquícios de passado Formas antigas que insistem em me visitar. Sou mulher, mas ainda guardo a meiguice no olhar e uma esperança no coração A esperança da garota, que em noites de verão fitava o céu estrelado espalhada no chão Estou mais sóbria que nunca e o vinho que bebo agora me eleva pensamentos e planta palavras Colho em meus lábios a doçura de minha língua, a saborear minha existência Então me descubro ainda menina, que descalça e escondida saía correndo em tarde de tempestade pra se molhar nas calhas da vizinhança Ainda sou ela, aquela que procura acreditar que há algo alé...
Se você não souber escutar, nunca saberá muito bem o que dizer. Ouvir foi pré requisito para você aprender a falar. Talvez o ponto seja, o que você acostumou-se a ouvir...

Deixa...

Deixa o tempo passar Há uma dor que não abandona Há uma dor sufocante, insuportável, imutante Deixa a chuva molhar Há em meus olhos uma luz morta Há em meu peito... Ai, o que há em meu peito? Um buraco, um vazio, um cansaço Não consigo escapar Deixa a nuvem tremer Deixa o negrume vencer.
O tempo! Ah, o tempo... Como vivemos esse estranho que a todo momento se presentifica em nós e nos dá a noção de continuidade Alonga nossos pensamentos e edifica a concretude da própria existência... O tempo não é algo que vem de algum lugar em direção a outro. Não é um vento que passa por nós e vai encontrar outros, ser o futuro de outrem. Pois, se o vento mudar de direção, para que lado será o futuro? No passado? Nossa existência é um raro momento no espaço do tempo. Um ponto imperceptível na estrutura do universo mas, estar aí, é o único ponto ao qual podemos, de alguma forma nos agarrar. E, é nesse ponto que, enfim, podemos algo. Voltar atrás? Pois, se só sei seguir adiante! Como o curso de um rio, brotamos, derretemos, seguimos o curso. Pedras, lama, gravetos, vida! O rio que nasce já não é o mesmo quando no mar desagua. Deixou-se transformar pelo caminho, acrescentou, deixou ficar, partiu.
Havia naquela passagem Um não sei quê de incerteza Em cada passo do caminho Uma oculta beleza Tal qual um poema, em forma de canção.