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Mostrando postagens de agosto, 2011
Desprenda-se, por um instante. Inspire profundamente e, deixe-se cair nas teias da vida. Largue-se de braços abertos ao encontro do vento Ouse tirar os sapatos e pisar o chão, com os pés nus. Desnuda-se também de seus pudores e crenças Suspenda o véu que encobre seus olhos  E por alguns segundos, simplesmente veja, com o corpo inteiro. Deite com os braços abertos ao céu Olhe nos olhos das estrelas Entregue-se e deixe assim, tudo ser.
Primeiro é o beijo Quente, procurado A língua procurando a outra E vendo se a boca combina Se combina o beijo Meio caminho andado Depois é a pele Se a textura vale O pêlo com pêlo Ou o pêlo com o seu pêlo Ou os pêlos com meu pêlo Ou o medo Depois o cheiro Um procura no outro O cheiro de colônia ou O cheiro de prazer E os dois se embriagam Ou vão até o banheiro Depois a cor O amor tem cor? Cada amor tem uma cor Cada beijo tem uma cor Cor de caramelo doce Cor de madrugada fria Cazuza - Qual é a cor do amor?
O movimento de sair da fantasia pode ser arriscado. Encarar a realidade exige coragem. Confrontar os desejos com as possibilidades na vida real pode tanto alimentar o desejo, quanto condená-lo à necessária inanição. É um risco que (o)corre, àqueles a quem assusta a brevidade da vida e a impossibilidade do possível. Mesmo que o "possível" seja tão somente de um sonho, uma semente.
Queria tanto encontrar alguma coisa! Que estranho dizer isso! Quanta insensatez! Há tantas coisas no mundo! Queria tanto dizer alguma coisa! Que insensatez dizer isso! Há tantas coisas estranhas! Quanto tanto que há tantas! No mundo.
E eis que de repente, em meio a uma tarde chuvosa e meio lúgubre, Anita olha pela janela lateral e percebe que há um laço desfeito em seu peito e, laço desfeito deixa buraco. Estranho foi, que assim tão estranhamente como sentiu isso, sentiu também vontade de devorar o mundo. Aquela vontade adolescente de acreditar ser, de tudo, capaz!  E Anita realmente acreditou. Ainda olhando pela janela ela confessa para o reflexo de si mesma: Pronto, já não temo a novidade!
Sou apenas um forasteiro de mim. Um emaranhado em mim mesmo. Preso indefinidamente a um mim, indefinido de mim mesmo.
"Ficção é uma coisa inútil, para causar estranhamento. Ao escrever, tenho que ser capaz de imaginar a maior loucura e, ser detalhista em descrevê-la." Fernando Bonassi
Devagar! Aproxime-se,  de vagar... Posso ser branda e intensa presente e fugaz. Só preciso que você se aproxime, a vagar, (de) vagar!
"Como se numa quinta-feira à tarde, às 3 horas, você atravessasse a rua e do outro lado percebesse: O amor, morreu!" Reinaldo Morais
Quero apagar o que fui. Quero desfazer-me de mim. Quero seguir diferente. Quero novas escolhas e novas "escolas". Quero tudo novo, em novas paisagens e, não quero ter medo! Não quero o receio que paralisa, nem a memória que insiste em visitar. Não quero a perda, Quero a permanência! Tudo bem, não consigo ser simples, mas sim! Consigo, simplesmente viver. Mas admito: preciso de ajuda. Não quero caminhar tão só,  mas também não quero presenças a me  entorpecer e  tropeçar  os pés. Quero um certo espaço e por gratidão, dar-lhe-ei a liberdade que almejo. Não quero ninguém, tão pouco quero que alguém me queira. Só quero ficar e, saber que ficar,  só depende de simplesmente,  deixar rolar, deixar se marcar.
Há um grito, em uma boca aberta,  olhos fechados, peito escancarado e punhos cerrados. Um grito longo e assustado. Um grito que ao invés de apavorar, emudece! Um grito com história antiga. Um grito que o vento não leva, espalha. Um grito que não encontra fim, mas cala.
Se, ao final desta existência, Alguma ansiedade me restar E conseguir me perturbar; Se eu me debater aflito No conflito, na discórdia... Se ainda ocultar verdades Para ocultar-me, Para  ofuscar-me com fantasias por mim criadas... Se restar abatimento e revolta Pelo que não consegui Possuir, fazer, dizer e mesmo ser... Se eu retiver um pouco mais Do pouco que é necessário E persistir indiferente ao grande pranto do mundo... Se algum ressentimento, Algum ferimento Impedir-me do imenso alívio Que é o irrestritamente perdoar, E, mais ainda, Se ainda não souber sinceramente orar Por quem me agrediu e injustiçou... Se continuar a mediocremente Denunciar o cisco no olho do outro Sem conseguir vencer a treva e a trave Em meu próprio... Se seguir protestando Reclamando, contestando, Exigindo que o mundo mude Sem qualquer esforço para mudar eu... Se, indigente da incondicional alegria interior, Em queixas, ais e lamúrias, Persistir e buscar consolo, co...