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Mostrando postagens de julho, 2011
POR FAVOR, Seja claro! Claro com as palavras, Preciso com as intenções, Atento aos resultados e,  mais ainda,  aos desejos. Esteja atento! E, mesmo assim, desconfie. Algo sempre surpreenderá e,  então, não resista. Renda-se! Renda-se, e, aprecie o inusitado. Afinal, do que é feito(a), e qual o (d)efeito (d)a VIDA! (?)
Hoje topei com alguns conhecidos meus/ me dão bom dia cheios de carinho/ dizem pra eu ter muita luz, ficar com Deus/ eles têm pena de eu viver sozinho. Hoje a cidade acordou toda em contramão/ Homens com raiva, buzinas, sirenes, estardalhaço/ De volta a casa na rua/ Recolhi um cão/ Que de hora em hora me arranca um pedaço/ Hoje pensei em ter religião/ De alguma ovelha, talvez, fazer sacrifício/ Por uma estátua ter adoração/ Amar uma mulher sem orifício/ Hoje afinal conheci o amor/ E era o amor uma obscura trama/ Não bato nela, não bato/ Nem com uma flor/ Mas se ela chora/ Desejo me inflama/ Hoje o inimigo feliz veio me espreitar/ Armou tocaia lá na curva do rio/ Trouxe um porrete e um porreta pode me quebrar/ Mas eu não quebro não/ Por que sou macio, viu? Chico Buarque - Querido Diário
Ao findar do dia, as nuvens começam por lamber os pés da montanha. Sinuosas, escorregadias, deslizam seus vapores por entre suas coxas esverdeadas, atingem seus seios e os bicos de seus picos. Desfazem-se na imensidão do céu, deixando na pele nua das copas das árvores, a úmida lembrança da sua passagem. Por fim, escorregam pelas costas de suas encostas, e rendem-se ao mar.
É bom andar a pé sem sapato, sem direção a toa na cabeça o sol um boné É bom andar a pé devagar para aguentar o calor e olhar a vista pro mar melhor É bom andar a pé sem dinheiro, sem documento a favor do vento semi nu É bom andar a pé devagar para aguentar o calor e olhar a vista pro mar melhor esqueça tudo que tudo sobrevive isto é tempo livre pra viver é bom saber andar acompanhado de ti faz meu coração se sentir melhor É bom andar a pé sem sapato, sem direção a toa na cabeça o sol um boné É bom andar a pé devagar para aguentar o calor e olhar a vista pro mar melhor esqueça tudo que tudo sobrevive isto é tempo livre pra viver é bom saber saber não ocupa lugar andar acompanhado de ti faz meu coração se sentir melhor Wilson Simoninha - É bom andar a pé
A solidão e sua porta Carlos Pena Filho Quando mais nada resistir que valha A pena de viver e a dor de amar E quando nada mais interessar, (nem o torpor do sono que se espalha). Quando, pelo desuso da navalha A barba livremente caminhar E até Deus em silêncio se afastar Deixando-te sozinho na batalha A arquitetar na sombra a despedida Do mundo que te foi contraditório, Lembra-te que afinal te resta a vida Com tudo que é insolvente e provisório E de que ainda tens uma saída: Entrar no acaso e amar o transitório.
Mantenho vivos na memória,  fragmentos da minha história  e,  preencho os vazios,  entre um e outro ato,  com produtos das prateleiras de supermercado.
Pessoas vem, pessoas vão a largos passos ou pequenos punhados mundo gira, gira mundo roda roda nos bailes, no salão um pé que vai, outro que solta um pé que pisa, outro que toca vai rodando rodando fechas os olhos, abre os braços a vida se encarna e poucas vezes escracha seus espaços caminha caminha, pisa teus passos segue reto então, em vôo raso pouco há que se possa deixar ao acaso mas ora, basta! Bata já as mãos nesse casco estou à deriva, sem porto ou laço sou peça solta envolta inteira  em pedaços.
Há algo que se transforma e circula é o sangue que flui, doando cor e alimento. Pulsações íntimas de pinturas refeitas. Poesia, maledicências, escárnio, utopias.
Ilusões são construções que, quando desfeitas, deixam um certo entulho, um emaranhado de imagens e palavras soltas, a procura de um novo lugar. Não há o que ser dito, um horizonte se fecha e destitui seu lugar. Agora, quero edificar meus planos em uma nova paisagem. Não sou mais a mesma, nem sinto saudades de mim. Quero algo novo, inusitado, uma surpresa do acaso num caso de distração. Quero sentir em meu corpo, o corpo de um novo amor. Quero descobrir no oceano dos teus olhos um porto, e atracar em vários, e novos encontros.