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Mostrando postagens de janeiro, 2011
E então, hoje amanheci, e voltei a sentir a dor incômoda a falta de ar o aperto no peito vontade de chorar...
Deixei passar, atravessar, partir Deixei que fosse, para nunca mais voltar Despedi-me. Não sei se por acaso ou descaso Foram-se todos, poucos restaram Em mim, tudo passou, tudo passa... Fui atravessada por lanças, espadas, balas e facas Inteira perfurada. Sangrei, enfraqueci, encarei a morte e seu hálito frio, em olhos profundos, escuros, partidos Adoeci, enlouqueci, é certo que morri Mas, ainda me encontro aqui Presa ao laço da vida Em um fio de luz prendi meu olhar, por um longo segundo em um curto instante de vida Como que por instinto, segurei meu fôlego e ressurgi. Ferida, fraca, dolorida e novamente em busca, na lida.
E se o tempo parasse, apenas por um instante? E se eu me permitisse te seguir, ou tu a mim, por um dia inteiro? E se os deuses enlouquecessem e nos arremessassem ao mar? O que nos restaria então? Essa vida repleta, de cores, aromas e presenças A vida à procura, a vida aflita, a vida que acaricia mas também surra (e cura?) E se tudo não passar de uma grande brincadeira de um deus bonachão, sentado em seu trono, gordo e fanfarrão Um deus que passa os dias a se divertir, assistindo aos nossos passos, ouvindo nossos pedidos, pensamentos e desesperos Um big brother celestial... Um deus que nos tem na palma de uma de suas mãos, e na outra segura um copo de cerveja, e um baseado bem aceso Nós: humanos, minúsculos e superficiais Buscadores de afeto pelos sentidos Aflitos pela ausência de terra e de amores À mercê de um deus louco, covarde e tímido Desconhecido de nós, assim como os nós em nós mesmos.
E ela inesperadamente me pergunta: "E como eu faço para me render?" Não soube, na hora, o que responder, mas agora eu diria: "Deixe-se ser amada. Procura ser dócil com o amor".
Soneto Sentimental à Cidade de São Paulo Vinícius de Moraes Ó cidade tão lírica e tão fria! Mercenária, que importa - basta! - importa Que à noite, quando te repousas morta Lenta e cruel te envolve uma agonia Não te amo à luz plácida do dia Amo-te quando a neblina te transporta Nesse momento, amante, abres-me a porta E eu te possuo nua e frígida. Sinto como a tua íris fosforeja Entre um poema, um riso e uma cerveja E que mal há se o lar onde se espera Traz saudade de alguma Baviera Se a poesia é tua, e em cada mesa Há um pecador morrendo de beleza?
Sigo, persisto, alcanço e consigo Em tempo exato, passado ou preterido Na imperfeição do verbo dito Palavras de tom e cor, palavras em grito O presente se pressente ao redor de meu umbigo.
O que há? O que se passa? Não sei, não consigo saber. Estou derramada em mim, perdi-me em meu oceano por mais uma noite, por mais uma vez. Até o amanhecer, pertenço somente às marés, não sou mais minha, nem me possuo Sou vinho evaporado, perfume passado, lembrança em suspiro Sou o olhar no infinito Perdida em mim mesma mais uma noite. Uma noite, apenas.
Há certas coisas que voltam, muitas vezes, sem pedir permissão coisas que não fazem o menor sentido, mas são sentidas com exatidão. É mal estar estranho, que surge assim, sem noção. Nessas horas, o melhor a fazer não é dizer "não". É, simplesmente deixar que parta, assim como chegou: Sem razão!
É preciso sair pelo mundo, a coletar dados. O que virá depois? Não faço a menor ideia. Nem pretendo ter a ideia menor de saber. Pois, o que virá depois? Que venha!
Eu vou te dar a decisão Botei na balança E você não pesou Botei na peneira E você não passou Mora na filosofia Pra que rimar amor e dor Se seu corpo ficasse marcado Por lábios ou mãos carinhosas Eu saberia, ora vai mulher, A quantos você pertencia Não vou me preocupar em ver Seu caso não é de ver pra crer Ta na cara Pra que rimar amor e dor? Monsueto/Arnaldo Passos
“... Que você aprenda a dançar. Lição de Zaratrusta, que dizia que para se aprender a pensar é preciso primeiro aprender a dançar. Quem dança com as idéias descobre que pensar é alegria. Se pensar lhe dá tristeza é porque você só sabe marchar, como soldados em ordem unida. Saltar sobre o vazio, pular de pico em pico. Não ter medo da queda. Foi assim que se fez a ciência e se construiu a história: não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que buscam. Todo construir começa com o dançar de idéias”. Rubem Alves
Se tudo não passa de uma grande e desconhecida aventura, Se tudo não passa de um efêmero momento Se tudo não passa de um grande "se" Porque então tanta pompa e tanta pose? Pra evitar olhar pro vazio que inevitavelmente nos rodeia para o espaço que o "se" não consegue ocupar pra evitar a angústia da falta do teu olhar pra fugir do medo que persegue todo o desejar. 

Mudar Dói

Criar um novo hábito Abrir mão dos antigos Acordar mais cedo Fazer exercícios Organizar o tempo Iniciar uma dieta Largar um vício Entregar-se a um novo amor Recomeçar... Mudar dói É diferente É inesperado Estranho, assustador... Dá frio no estômago Dor de barriga Gelo nas mãos Suor debaixo do braço... Gera adrenalina Energia Brilho no olhar Sorriso largo E pele saudável... Começar é complicado Difícil é manter Alinhar o pé Andar Pé ante pé Adiante Olhar Seguir Crer merecer Permitir-se alcançar É preciso força É preciso coragem É preciso destreza Exercícios constantes E muita persistência É preciso crer Enlaçar-se à fé Quebrar o casco Trocar a pele E ir além de si mesmo. Repostagem de poesia  - dezembro de 2009.