Das coisas que eu não consigo entender... Está aquele olhar vazio, que olha sem nada ver. Está aquela palavra dita ao acaso, perdida, mal dita. Está aquela mão que se estende, sem nada tocar. Aquele dedo que aponta e julga, sem perceber seu olhar sobre si mesmo. Das coisas que não consigo entender... Está aquele ardor sentido, disfarçado, afogado em lamentos e bebidas. Está aquele desejo ansiado, assinado, assassinado. Está aquele corpo que clama, pede, chama e desiste. Aquela pessoa que sonha, vive, ama, mas não sai da cama. Das coisas que não consigo entender... Está a desistência de si mesmo e a platéia que atônita, não reage e alimenta a dor por não ousar, ousar (é) um ato de amar.
Nada mais há, a não ser, o que há.