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Mostrando postagens de outubro, 2012
Das coisas que eu não consigo entender... Está aquele olhar vazio, que olha sem nada ver. Está aquela palavra dita ao acaso, perdida, mal dita. Está aquela mão que se estende, sem nada tocar. Aquele dedo que aponta e julga, sem perceber seu olhar sobre si mesmo. Das coisas que não consigo entender... Está aquele ardor sentido, disfarçado, afogado em lamentos e bebidas. Está aquele desejo ansiado, assinado, assassinado. Está aquele corpo que clama, pede, chama e desiste. Aquela pessoa que sonha, vive, ama, mas não sai da cama. Das coisas que não consigo entender... Está a desistência de si mesmo e a platéia que atônita, não reage e alimenta a dor por não ousar,  ousar (é)  um ato de amar. 
E foi assim, foi assim que ela se deu conta e, num instante, resolveu partir. Abriu a porta e foi para o mundo, para o inesperado da vida, que ansioso há tempos a aguardava. Foi em silencio. Levou pouco, mas tudo o que precisava. Estava leve e pela primeira vez na vida parecia sentir verdadeiramente o vento tocar sua face. Nem uma gota de lamento pelo o que ficava, nem um 'ai' ou suspiro pelo que deixou. Foi-se, como se nunca tivesse ficado. Naquela manhã sabia que o destino era certo, mesmo que o rumo, ainda, incerto.
Não somos menos. Não somos mais. Somos únicos!
A verdadeira beleza brota do brilho dos olhos, dos gestos inesperados  e da espontaneidade das palavras. É pura, sem máscaras ou disfarces. É corajosa e simples, sem intenções ou enfeites. Por isso, permanece... E, por ser rara, eterniza-se!
E um dia o sol bateu a minha porta. Assustada, mas curiosa, deixei-o entrar. Sua luz me ofuscou, deixou-me cega e, por alguns instantes nada vi. Com os olhos cerrados, um pouco lacrimejantes, comecei a sentir, um aconchego no corpo, um calor que foi se espalhando, aos poucos, toda a minha pele pode sentir, dos raios a vibração, da vibração a energia, da energia uma vontade que foi me tomando conta, aos poucos, sempre aos poucos. Lenta, arrisquei-me um pouco mais. Pé ante pé, permiti-me sair, um pouco mais, sempre um pouco mais. Meus pés descalços, no assoalho morno me deram a sensação de pisar em um chão nunca dantes pisado, um chão virgem. Agora já com os olhos semi-cerrados, estendi o braço, cobri a testa, produzindo uma leve sombra para poder abrir um pouco mais, sempre um pouco mais, meus olhos cansados. E foi então, que eu o vi pela primeira vez. Estava próximo, muito próximo, e surpresa, percebi que nunca o havia percebido. Ele estivera ali, o tempo todo,  sempre ali. http...
DAS COISAS QUE EU GOSTARIA DE TE DESEJAR: dia de sol            mar azul                       brisa suave                   beijos na face                                 beijos na boca           beijos no corpo                     beijos e beijos       chá quentinho                             filme agarradinho pipoca e edredon        chocolate e edredon             doçuras e travessuras (no edredon)                           caminhadas ao por do sol             ...
Da Busca da Leveza - Parte I: O Perdão e o Perdoar. Perdoar não é esquecer, tampouco abafar. Perdoar é aceitar a imperfeição, colocar-se novamente à disposição. Abrandar a ira, respeitar o possível,  criar nova rima. Mas, se não houvesse o crivo do pecado até mesmo o perdão seria vão. E, o erro cometido,  não passaria despercebido  mas livre de carga extra, poderia ser até mais divertido!
Você só amadurece quando se rende! Se rende ao tempo, à dor e à cor. Você só amadurece quando se permite cair do pé. Quando se rende, ao inevitável!
Saudade bateu em minha porta, no sussurro da noite. Deixou um recado ao pé do meu ouvido e foi-se embora. Restou o silêncio do espaço outrora preenchido, um vazio: sua partida. Saudade visitou minha cama entrou em meus sonhos, vaporizou meus pensamentos. Soprou lembranças, levantou poeira, revirou os lençóis, emaranhou meus cabelos e se foi. Porque saudade é assim, independe, pode vir e partir, senão não seria saudade.
E, de repente, o tempo parou. O vento não mais soprou. A folha, não mais se moveu. A imagem se estagnou. A cor, permaneceu. O momento presente acordou o passado, e aprisionando o futuro, o tempo parou. A noite não veio, o dia não veio, a onda não veio. Tudo ficou, nada foi, nem voltou. O sol não despertou, a lua não apareceu, a flor não desabrochou, a asa não bateu. A terra silenciou. O tempo parou. E então, o momento brotou.
Gosto das coisas simples. Das cores simples, dos nomes simples. Nada de coisas compostas, pomposas, justapostas. Simples. O canto simples, a luz simples, o dia simples, o momento simples. Aquele que se basta e, por se bastar, sossega. Simples é tudo o que não almeja ser mais nada. Simples é o que é, mais simples que o verbo "ser", justamente porque não precisa ser, ele já é. Simples pode ser esse instante, ou, o que virá adiante. Simples é o menos, que sempre cria mais!
     "Sou acusada de ser antissocial e indiferente aos outros, de ter renunciado aos privilégios que tinha só para me livrar das pessoas. Um epitáfio para o meu túmulo: "Egoísta, linha-dura.'      Sou acusada de fóbica. De não aceitar os deveres e as convenções, de escapar do mundo conhecido por não suportá-lo. Também disseram que sou misantropa, que detesto o ser humano, que virei eremita por causa da vaidade de considerar o outro indigno da minha proximidade. Que dou as costas para o afeto das pessoas porque a única estima que me interessa é a minha própria.      Sou acusada de pedante porque o mundo não é indispensável para mim.      Olhando as coisas assim, não deixam de ter razão. Mas eu poderia replicar que há uma aspiração por trás disso: o desapego.      Tenho lido muito nesses tempos perto do mar, de Schopenhauer aos budistas. E me desprendi das minhas diversas posses, de móveis e roupas até o marid...
Folhas brancas. Gosto das folhas brancas.  Tenho por elas, na verdade, especial apreço.  Sim, folhas brancas são folhas novas, limpas, vazias, descoloridas e descompromissadas.  Folhas brancas aguardam... A tinta, a cor, a forma, a palavra. São folhas nuas, cruas. Folhas brancas esperam, esperançosas pelas próximas figuras.