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E aquele homem entrou no bar. E aquele homem tinha pernas curtas. Seu corpo todo era curto. Sentou-se a beira do balcão, auxiliou-se com os braços, também curtos, a subir no banco redondo. Endireitou-se, pediu uma bebida e deixou os pés balançarem pelo ar. Era um homem curto, não pequeno, curto. Assim como seu nome: Ary. E ali ficou Ary, sentado, pernas suspensas, olhar apreensivo, tronco apertado. Parecia procurar um lugar, um lugar para fixar seu olhar, algo que lhe chamasse a atenção ou, um passatempo qualquer, por qualquer tempo possível. Na realidade, estava inquieto, mas ainda não sabia. Só seu corpo sabia, seu curto corpo sentia que a pequenez de Ary se engrandecia com esse desconhecido desconforto. Logo ele perceberia, depois de alguns goles, que tudo tinha a ver com a partida de Maria, e com as mudanças no trabalho, e com as escolhas que fizera até ali ou, com nada disso. Como afinal, seu curto corpo o trouxera até ali? Tinha a sensação de que fora trazido, sem escolha, conduzido, abduzido, seduzido, pela vida ou por Maria... Seu pensamento balançava, curto, assim como suas pernas. Tudo suspenso no ar enquanto seus olhos procuravam, algo fixo, para se assegurar.

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