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Mostrando postagens de outubro, 2011
Abriram-se as portas da vida e eu estava lá! Foi no momento em que vi a imensidão, e me assustei. Quis voltar, quis fugir. Restou-me apenas, seguir. Arrisquei meus primeiros passos. Não dispunha de muita astúcia, ou experiência, para saber se o chão, o qual tateava agora com a ponta dos dedos de meus pés, era seguro, ou não. Experimentei. Cai. Por diversas vezes, e então, fortaleci. Passei a tropeçar, apenas. Enrije-si. Espantei-me com o que vi. Aprendi. E foi aos tropeços, que me perdi. Afastei-me de mim. Mas fiz o que de melhor me foi possível. Descobri. Que tudo na vida tem seu preço. Vivi. Como se não me pertencesse e, agora, luto para apropriar-me de mim, em mim mesma. Sei, só tenho a mim, e vice-versa. Mas a vida há de ser longa o suficiente para enternecer e curta que chega para não cansar. Pois vislumbres já tive e bem sei... existirá sim, em algum lugar o tão procurado motivo, que permitará então, restar.
A sombra que me move também me ilumina Me leve nos cabelos, me lave na piscina De cerda ponto claro, cometa que cai no mar De cada cor diferente que tente me clarear É noite que vai chegar, é claro, é de manhã, é moça e anciã O pelo do cavalo, o vento pela crina O hábito no olho, veneno lamparina Debaixo de sete quedas, querendo me levantar Debaixo do teu cabelo, a fonte de se banhar É ouro que vai pingar na prata do camelô, é noite do meu amor É noite que vai chegar, é claro, é de manhã, é moça e anciã. Galope Rasante - Amelinha http://www.youtube.com/watch?v=OIYA9s21ij8
Palavras, palavras. Reúna um punhado de letras e sílabas, separadas. Jogue, misture e rebata em linhas soltas, largadas. Grandes, pequenas, fúteis ou plenas. Palavras, palavras. Aproximam, afastam, pelos lábios, papéis e lápis, escapam.
Interessa-me saber o que você deixou que a vida fizesse com você. Como atravessou as dores e a solidão. Como vive as expectativas que tem sobre os outros e o que faz com as que, inevitavelmente, depositam em você. Interessa-me saber onde guarda suas alegrias e o que aprendeu a fazer com seus medos e seus sonhos. Não me interessa saber como você ganha a vida. Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer os anseios do seu coração. Não me interessa saber sua idade. Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor, pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. O que quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou com medo de mais dor. Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la. Quero saber se você é capaz de conviver co...
Farta. Estou farta! De pequenos problemas, de coisas vãs, de coisas em vão. Farta. Estou farta. E nessa fartura que mais que me farta... Eu? Quase que infarto!
Desejo o sol, em seu calor e esplendor. Desejo a chuva, em sua abundância e vida. Desejo o mar, em sua imensidão e aventura. Desejo a paz, em sua mansidão e serenidade. Desejo a tua felicidade, e que ela seja livre e bela, como os olhos que em ti, navegam.
Cada ser humano traz em si, um oceano, um convite para navegar. Um pedaço do universo, inteiro, submerso em seu olhar. Para percebê-lo, basta atentamente, observar. Olhar em seus olhos e entregar-se às formas dos gestos, à arte singular de se expressar. Cada ser humano traz em si, uma semente. Potencialidades para o seu despertar. Para florescer nesse canteiro, é preciso cuidar: Procurar o correto alimento, regar, aguardar. Paciência é conquista, não é qualquer presente que se dá. Mas, para ser humano, não basta nascer, crescer e aprender a se virar. É preciso mais, muito mais. Um ser, humano, não nasce pronto, não sabe ainda, voar. É preciso sair pelo mundo, a coletar, procurar. Descobrir outros olhares, e sua própria maneira de compartilhar. Fortalecer a alma, e as asas. Aprender a acreditar, para então abrir os braços, o peito e os laços E realizar!
Os médicos estão fazendo a autópsia Dos desiludidos que se mataram. Que grande coração eles possuíam; Vísceras imensas, tripas sentimentais E um estômago cheio de poesia. Carlos Drummond de Andrade
A despeito de toda a sorte de sofrimentos, sigo. Meio só, meio de lado, meio a meio, meio aos trancos, fugindo dos barrancos, sigo. A respeito de todas as marés de alegrias, sinto. Aos pedaços, nos momentos, em suspiros, aos borbotões, sinto. A despeito de todo o respeito, vivo. E, a respeito de todo o despeito, cuspo.