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E um dia o sol bateu a minha porta. Assustada, mas curiosa, deixei-o entrar. Sua luz me ofuscou, deixou-me cega e, por alguns instantes nada vi. Com os olhos cerrados, um pouco lacrimejantes, comecei a sentir, um aconchego no corpo, um calor que foi se espalhando, aos poucos, toda a minha pele pode sentir, dos raios a vibração, da vibração a energia, da energia uma vontade que foi me tomando conta, aos poucos, sempre aos poucos. Lenta, arrisquei-me um pouco mais. Pé ante pé, permiti-me sair, um pouco mais, sempre um pouco mais. Meus pés descalços, no assoalho morno me deram a sensação de pisar em um chão nunca dantes pisado, um chão virgem. Agora já com os olhos semi-cerrados, estendi o braço, cobri a testa, produzindo uma leve sombra para poder abrir um pouco mais, sempre um pouco mais, meus olhos cansados. E foi então, que eu o vi pela primeira vez. Estava próximo, muito próximo, e surpresa, percebi que nunca o havia percebido. Ele estivera ali, o tempo todo, sempre ali.

http://www.youtube.com/watch?v=dexa2On5l9I&feature=related



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