Clarice tem um sonho. Clarice sonha em ser mãe. Seu sonho está sendo construído, dia após dia. Todas as suas ações entrelaçam-se para esse fim. Mas Clarice também tem medos e receios, mas deles, procura não se ocupar. Quando surgem, corre ligeira para o armário, abre a gaveta do meio e fica a contemplar e alisar as roupinhas já compradas, lavadas e passadas. Ocupa então seus pensamentos com o que ainda não existe, com o que ainda não pertence ao seu presente: um sonho, um desejo, uma expectativa, uma realidade inexistente. Assim o tempo passa, o presente passa e enquanto nada acontece ao menos Clarice está ocupada, e isso lhe traz a agradável sensação de que a possibilidade do caos, que por vezes lhe assombra o olhar, foi descartada, e então cada coisa permanece em seu lugar, exatamente como a vida deve ser.
Nada mais há, a não ser, o que há.
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