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Sou mulher

Não sou mais menina, sou fêmea, feminina...
Não sou mais aquela que sonhava acordada, trancada no quarto, olhando o vazio da paisagem pela janela e preenchendo os espaços de hálitos de solidão
Não, não sou mais a criança perdida, procurando pelo abraço esquecido, pelo adulto no fim do corredor
Sou mulher, sou alma inquieta, sou pessoa incompleta à procura de mais,
à demais, em procura.
Mas guardo no presente, resquícios de passado
Formas antigas que insistem em me visitar.
Sou mulher, mas ainda guardo a meiguice no olhar e uma esperança no coração
A esperança da garota, que em noites de verão fitava o céu estrelado espalhada no chão
Estou mais sóbria que nunca e o vinho que bebo agora me eleva pensamentos e planta palavras
Colho em meus lábios a doçura de minha língua, a saborear minha existência
Então me descubro ainda menina, que descalça e escondida saía correndo em tarde de tempestade pra se molhar nas calhas da vizinhança
Ainda sou ela, aquela que procura acreditar que há algo além desse lugar e que agora, como mulher posso enfim arriscar-me a encontrar...

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