Como a fruta em meu quintal
Entregue ao céu
Grudada à terra
Á mercê das intempéries
Ao calor do sol, escaldante do verão
Ou dos ventos frios que sopram fortes em noite de temporal
Entregue às gotas da chuva, constantes, frias, refrescantes
Amadureço ao ar livre
Ganho cor, forma e sabor
Participo do movimento da vida
Tenho a pressa dos que sabem seu destino
E a sabedoria dos que se entregam ao tempo
Guardo sementes de mim em meu ventre
Potencialidades de novas vidas
Preenchidas de suco, aromas e cor
Guardo em mim um presente para poucos
Não escolho, sou escolhida
Pelo vôo do pássaro ou pela mão que me colhe
E cumpro enfim a tarefa final de minha vida
Transformar-me em fonte, mais uma vez me entregando
Ao desconhecido que de mim se atraiu
Colhido no calor do dia 07/02/10
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