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Essa manhã sinto-me estranha...
Sinto-me como se tivesse sofrido uma cirurgia.
Foi uma avalanche que se apoderou de mim.
Trouxe tudo, água abaixo, desfez caminhos e certezas, 
me destruiu.
É preciso que eu me recolha, estou toda frágil e desarticulada, 
molenga e fragmentada.
O agito e as coisas em movimento me irritam.
Preciso respirar!
Silêncio, silêncio!
Quero me escutar!
Estou tão cansada... 
exausta é a palavra!
Desapegar, largar, abrir mão, relaxar, confiar, 
deixar ser,
seguir.
Preciso refazer minhas formas de amar.
Reconstruir minhas formas de relacionar.
Perder o medo, soltar o riso,
me entregar.
Preciso largar tudo o que já fui ou pensei ser.
Rejuvenescer, renascer.
Nem tanto lá, nem tanto cá...
mais comum, mais simples, mais mundana.
Nem tão boa, nem tão má, 
nem melhor nem pior.
Essa manhã amanheci estranha...
Preciso me conhecer.
Parar de apontar os dedos
me recolher
me re conhecer.
Humildade, pés no chão,
respira, inspira, expira.
O que afinal você aspira?
Cuidar de mim.
Me amar e seguir me amando 
e me aceitando,
até o fim!
Preciso me integrar, me resgatar.
Corpo, alma e espírito, 
no mesmo lugar!

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