Encontrar a si mesmo exige esforço e disciplina. Além de uma
generosa dose de bom humor e outra, de paciência. Encontrar a si mesmo parece
uma busca absurda!
É preciso livrar-se de todos os Outros. Os pensamentos, dos
outros. Os sentimentos dos outros... ocupamos muito tempo da nossa existência
tentando viver a vida dos Outros. E, na impossibilidade de viver o que é apenas
dos outros, esquecemos o outro de nós mesmos, que coabita tempo, espaço e
matéria, conosco!
Desde o dia em que nascemos, lentamente, e insistentemente,
vamos aprendendo a nos perder de nós mesmos. O que importa, são os outros! O
que os outros pensam, é o movimento. O que os outros fazem, é a moda. O que os
outros vivem, é a vida na novela, ou, o novelo da própria vida.
Ficar em silencio e procurar, descobrir, o que nos encanta a
alma, é um trabalho árduo. Dói, é preciso desapegar-se, de todos esses outros,
é experimentar uma solidão essencial, voraz! Encarar seus medos mais tenros e
infantis. E, afinal, para quê? Não sei ao certo, mas viver o que é dos outros
há tempos já não me apraz como antes, nem preenche, nem explica, nem basta!
Parece, que quando nada se basta, tudo se pacifica. É
preciso se render, e deixar então, algum outro, devagar, se aproximar.
Aproximar-se de si mesmo, é abrir e curar feridas. É um processo longo e
amoroso. É o processo de uma vida! Permitir que algum outro se aproxime exige
cuidado e atenção, afinal, feridas em cura, sempre podem ainda, machucar...
Cuidar de si, é aproximar-se de si. Aproximar-se de si, é
declarar-se ao mesmo tempo, independente e desejante. É procurar
incansavelmente o equilíbrio, e abrir mão dele, ao mesmo tempo. É contraditório
e confuso. É criar suas próprias regras e aprender a sobreviver em meio aos
Outros, aqueles... Outros...
Para não estar só, é preciso aprender a conviver, e
convivência é coisa séria, e divertida! É estar atento e não achar que já se
sabe tudo. É olhar curioso e descobrir o singular que habita o plural de cada
um.
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