Olhou-se no espelho. Fazia muito tempo que não parava para se olhar, de verdade. Olhar de verdade é tentar olhar nas entrelinhas da testa, nas "entrerrugas" que atestam insistentes o tempo, que implacável insiste em passar. Parece que agora, se vê de um jeito diferente. Cada dia que passa é diferente. Ilusão é pensar que tudo não passa de simples repetição. Pobre mortal. Podre moral.
Olhou-se no espelho. Viu uma parte de si, por inteiro. Percebeu-se desconhecida e desconcertou-se. Precisou de mais um instante. Ali, parada em frente ao espelho, voltou a se analisar. Percebeu que o futuro de si mesma já estava presente e, aquela imagem ali no espelho, imóvel, representava um passado. Não se reconheceu. Ou melhor, reconheceu-se, só que diferente. Diferente de tudo o que já havia visto ali, no reflexo de si mesma. Olhou-se e percebeu que tratava-se apenas de uma mulher. Ela mesma. Uma mulher. E ponto, simples assim. Mas aí parece que tudo se tornou simples demais, e ela começou a desconfiar. Resolveu parar de se olhar por alguns segundos, primeiro fechando os olhos, depois virando por alguns segundos o rosto para o outro lado e, quando voltava a abrir, voltava a sentir exatamente a mesma coisa. Atinha-se aos detalhes do rosto, dos cabelos, do contorno da boca, do contorno dos olhos, do formato do nariz e das orelhas, até do pescoço e do colo e o que percebera, confirmou-se: tratava-se apenas de uma mulher. Fato. Ficou perplexa, sentiu um peso enorme saindo dos ombros e vindo parar bem em cima do seu coração. Sentiu o peito apertar. Mas logo passou. Tratou de passar. Porque tentou parar de pensar. Mal sabia que logo, muito em breve, tudo isso começaria a desmoronar. Tudo aquilo que ela havia deixado de lado, justamente por não querer pensar. Como aquelas coisas que guarda nos cantos da sua casa e que por mais que limpe e jogue fora parecem se multiplicar infinita e descaradamente! Essas coisas a gente nunca perde, elas se grudam por debaixo da pele, logo ali, entre a carne e o tato.
Olhou-se no espelho. Viu uma parte de si, por inteiro. Percebeu-se desconhecida e desconcertou-se. Precisou de mais um instante. Ali, parada em frente ao espelho, voltou a se analisar. Percebeu que o futuro de si mesma já estava presente e, aquela imagem ali no espelho, imóvel, representava um passado. Não se reconheceu. Ou melhor, reconheceu-se, só que diferente. Diferente de tudo o que já havia visto ali, no reflexo de si mesma. Olhou-se e percebeu que tratava-se apenas de uma mulher. Ela mesma. Uma mulher. E ponto, simples assim. Mas aí parece que tudo se tornou simples demais, e ela começou a desconfiar. Resolveu parar de se olhar por alguns segundos, primeiro fechando os olhos, depois virando por alguns segundos o rosto para o outro lado e, quando voltava a abrir, voltava a sentir exatamente a mesma coisa. Atinha-se aos detalhes do rosto, dos cabelos, do contorno da boca, do contorno dos olhos, do formato do nariz e das orelhas, até do pescoço e do colo e o que percebera, confirmou-se: tratava-se apenas de uma mulher. Fato. Ficou perplexa, sentiu um peso enorme saindo dos ombros e vindo parar bem em cima do seu coração. Sentiu o peito apertar. Mas logo passou. Tratou de passar. Porque tentou parar de pensar. Mal sabia que logo, muito em breve, tudo isso começaria a desmoronar. Tudo aquilo que ela havia deixado de lado, justamente por não querer pensar. Como aquelas coisas que guarda nos cantos da sua casa e que por mais que limpe e jogue fora parecem se multiplicar infinita e descaradamente! Essas coisas a gente nunca perde, elas se grudam por debaixo da pele, logo ali, entre a carne e o tato.
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