A pedra no sapato.
A pequena pedra, imperceptível aos olhos na calçada.
A pedra pequena, quase que um grão de areia.
Inofensiva e inócua, tornou-se repentinamente um enorme pedregulho,
uma rocha incômoda e pontiaguda, alojada em meu sapato.
A cada passo, maior me parece!
E a cada centímetro caminhado, mais e mais meu pé padece.
A tentativa de abstrair, ignorar, fingir... é vã!
Assim como é vã, continuar a caminhada.
Paro agora? ou aguardo a minha pele rasgar e a ferida sangrar?
Nesses casos, o tempo é inimigo da dor...
Melhor parar, seja como for, descalçar o quanto antes os pés,
fazer uma pausa, para então o passo retomar.
Pois no fim dessa, e de todas as contas,
seja o estrago dessa, ou de outra monta
meu passo segue firme e lhe asseguro:
Sempre sou eu mesma quem me curo!
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