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"Sou mulher
Não sou mais menina, sou fêmea, feminina...
Sou mulher, sou alma inquieta, sou pessoa incompleta à procura de mais, 
à demais, sempre em procura.
Mas guardo no presente, resquícios do passado.
Formas antigas que insistem em me visitar.
Sou mulher, mas ainda guardo a meiguice no olhar e uma esperança no coração.
A esperança da garota, que em noites de verão fitava o céu estrelado espalhada pelo chão.
E então me descubro ainda menina, que descalça e escondida saía correndo em tarde de tempestade pra se molhar nas calhas da vizinhança.
Ainda sou ela, aquela que procura acreditar que há algo além desse lugar e que agora, como mulher posso enfim arriscar-me a encontrar..."

Imagem: Leonid Afremov





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