Cansei dos comentários.
Cansei dos acessórios.
Cansei das cantorias.
Cansei das baboseiras,
sempre antigas, repetidas, vazias.
Cansei das palavras sem sentido.
Cansei das pedras atiradas.
Das palavras proferidas
dos atos que provocam feridas.
Cansei das pessoas que me cansam
das que só esperam,
esperam e esperam...
Das que querem sempre confete e serpentina
e um palco armado, um sorriso disfarçado e um aplauso
forçado.
Se não for espontâneo, to fora!
Cansei das cartas repetidas, dos jogos com regras batidas.
Tudo se quebrou!
A imagem encolheu, ou por demais se engrandeceu.
Cansei dessa vida repetida.
Cansei das armadilhas,
das mentiras.
Cansei das pessoas e suas novelas.
Cansei de desfazer nós.
Desisti de muita coisa.
Da letra, da melodia, da cor, da poesia.
Da rima, do pincel e da hipocrisia.
Vou andar nua pra provocar vexame.
Que a verdade de cada um surja e por terra se derrame.
Em sangue, em cor, em tom, crua esparramada, atropelada, no
meio da rua.
Vermelha, e bem viva!
Vermelha, e bem viva!
Chega de enganos, tempo perdido e ironias.
A vida não é teatro meu amigo, abra os olhos, encare os
fatos!
Se você não consegue mirar sua própria imagem
deixe em paz o outro que vive de vento e sol e sequer ouves respirar.
Deixa em paz o teu irmão que como ti sofre, tem dúvidas e se
busca nesse mar de solidão.
Se não podes ajudar, cala ao menos tua boca, cerra teus
olhos e respeita a diferença.
Não à indiferença!
Chega de infantilidades e bolas trocadas.
Chega de meias palavras e meias verdades.
Estou farta das mentiras repetidas.
Farta das verdades construídas.
Farta de vidas não vividas...
Quanta perda de tempo, quanto tempo perdido.
Quantos valores afinal?
Todos invertidos,
em copos de imaginário cristal
todos tolos
aos borbotões vertidos.
Ignorantes radiantes,
felizes por tantos infelizes.
Patifes mascarados
brindam suas vitórias,
suas glórias,
suas rastejantes histórias.
Sentem-se grandes e poderosos.
Temem sua finitude,
consideram-se eternos.
Enquanto sonham encarcerados
em douradas gaiolas
com o céu azul e anjos imaginários
em douradas gaiolas
com o céu azul e anjos imaginários
fruto dos desesperos da alma
que entregue ao acaso
de caos em caos se perde
enquanto o tempo?
O tempo passa.
que entregue ao acaso
de caos em caos se perde
enquanto o tempo?
O tempo passa.
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