Sou um pinguinho de tinta derramado entre o instante que foi e o que há de ser.
Minha cor varia, muda conforme a forma que me lanço.
Minha forma muda, varia conforme me rendo à superfície.
Assim, vou deixando algumas marcas.
Posso ser grande e disforme, posso ser pequenino e tímido.
Posso ocupar muito espaço, posso passar despercebido.
Mas em alguma parte, meu rastro estará.
Pois é assim, sem se dar conta, que os minúsculos pingos de tinta criam uma grandiosa obra prima.

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