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Toda vez que me deparo com uma porta me pergunto: como abri-la?
Há portas de madeira, de concreto, de papelão.
Para quê elas existem? Para dividir, para separar, para impedir.
Podem separar ambientes, pessoas, paisagens, o público e o privado.
Podem ser úteis e saudáveis. Podem ser desnecessárias e doentias.


Toda vez que me deparo com uma porta me pergunto: para quê ela serve?
Há portas grandes, pequenas, altas e baixas.
Há portas que permitem uma certa visão, ou ao menos um prenúncio do que pode haver, do lado de lá.
Há portas que não deixam nada passar, tornam-se intransponíveis e se vangloriam dessa característica.
E, isso pode ser bom, assim como também, pode ser ruim.


Toda vez que me deparo com uma porta me pergunto: quanto esforço será necessário para abri-la?
A melhor maneira de passar para o outro lado é sendo recebido por quem já habita o lado outro. É ser convidado: a espiar, espreitar, tentar um pé, um braço, até o corpo inteiro passar, ou simplesmente, não.
Há maneiras e maneiras de se abrir uma porta: uma batida, uma campainha, um pé de cabra, uma bomba, um simples pedido.
Há portas em vários e diversos lugares e direções.
Há portas físicas, há portas imaginárias, há portas nas pessoas, há portas nas situações.
Se existem, e lá estão, algum motivo houve, ou ainda há, para que lá estejam. É preciso respeitar o limite, sempre! Ou seja, não ignorá-lo mas, ao mesmo tempo, é preciso também, questioná-lo, instigar o pensamento sobre sua real necessidade, naquele lugar, daquela forma, daquele jeito.


Há portas e portas e toda vez que me deparo com uma porta me pergunto: qual a porta que será preciso eu abrir em mim para poder avistar o que se reserva atrás dessa outra.
Abrir portas para mim é, e sempre será, um respeitoso desafio!


Comentários

Unknown disse…
adoro seu jeito de escrever!

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