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Maria era uma mulher sem memória. Ao menos, era nisso que acreditava, e era isso o que afirmava a todos que cruzavam seu caminho ou, por sua história perguntavam. Maria era uma mulher sem passado. Até hoje não se sabe se realmente nasceu ou, simplesmente apareceu, brotada do chão, tal qual batata ou semente de qualquer coisa, espalhada ao acaso em terreno baldio, sobrevivente do sutil momento entre a queda, a umidade e o calor. Maria não se lembrava de nada. Nem do dia seguinte conseguia se lembrar. Nem de quem acabara de conhecer. Carregava consigo apenas algumas impressões, mas nada que deixasse marcas. Era uma mulher sem marcas, apenas caminhava. Maria não tinha história, mas tinha uma vida ou, uma trajetória. Maria não tinha vínculos, pois não os lembrava, mas por ser boa, era amada. Maria não tinha nada, e de nada precisava. Maria seria uma mulher feliz, se soubesse o que poderia ser a felicidade mas, dizia-se simplesmente uma mulher. Mulher sem rastro, mulher sem lastro, mulher, e só. E, a única coisa que permanecia na sua lembrança, era de que nada mais seria lembrado.

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