Pular para o conteúdo principal
E aquele fora seu último movimento antes do naufrágio.
Debateu freneticamente seus braços, forçou as pernas para deixar o corpo na superfície. Até aquele momento acreditava ainda poder ser vista e amparada. Não se dera conta de que era apenas mais uma, em meio a tantos outros braços e pernas a se debater. A água parecia um imenso liquidificador, repleto de corpos prestes a perder seus pedaços ou renderem-se às marés. Subitamente compreendeu que o tempo passara rápido demais e a exaustão já tomava conta de todo o seu ser. Seu coração desistira, seus braços o seguiram, logo depois as pernas e por último sua face. Sucumbiu ao mar, depois de um breve e mal interpretado fôlego. O mar a envolveu, e o mar, foi doce, doce e suave, doce e aconchegante. Abraçou-a pelo ventre, entrelaçou-se em seus cabelos, acariciou sua face e a conduziu para desconhecidos lugares. Rendeu-se.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Silêncio! Todos dormem. Por favor, mantenha trancadas todas as palavras. Por alguns instantes, deixe o momento sequestar seus pensamentos. Pensamos por palavras. Portanto, feche a boca. Inspire. Ouça. Silêncio!
Diferenças entre "ele" e "ela". Parte I: Ela, achava que ele queria alcançar sua alma.  Ele, disse que queria era fisgar seu coração.