Depois de algum tempo Alice percebera uma mudança. A dor que agora lhe doía era uma dor turva, nebulosa. Apesar da força que parecia arrebatar seu peito e seus sonhos, em múltiplos pedaços, Alice percebia que tudo o que se espalhara a sua frente a conduzia a algum lugar outro, desconhecido, fora do conceito do que poderia ou não estar nos seus planos. Entregara-se inteira, ao acaso. Estava a deriva. Aprendera a desapegar-se da vida, tanto, que poderia morrer agora, em paz. Na verdade, não seria má ideia se isso acontecesse, nesse momento, de repente, como um susto que fizesse parar seu coração entre uma batida e outra. Tum, tum... um arregalar de olhos... tum, tum... um fôlego que se vai e não volta... tum, tum... e fim.
Nada mais há, a não ser, o que há.
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