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Saudades.
Saudades do que pode vir,
do que pode ser,
do que ainda não foi.
Saudades do pouco que vivi,
e do muito que ainda vislumbro,
por aqui.

Saudade.
A saudade é amarela,
amarela como o sol.
Se olhamos para ela cegamos,
cerramos os olhos e ficamos,
feito tontos desnorteados,
sem rumo, sem prumo
sem porquê.

A saudade dói, arde, coça
é coisa feita por bicho invasivo
que se instala e inala cada sopro
de pensamento.

A saudade incomoda.
Deixa febril, cansado e estúpido,
os amantes e os amados,
os esquecidos e os alquebrados.

Saudade do passado.
Saudade do presente.
Saudade do futuro.
Saudade do tempo que foi,
do tempo vindouro,
do que já não é,
do que ainda será.

Saudade, saudade, saudade.
Quantas saudades em um trago...
Sim, trago saudades,
saudades de ti!

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