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Um Dia, Talvez...


Um dia, talvez, a dúvida te assalte
no exato momento em que te lanças
no vazio, em direção ao trapézio
de novas esperanças. E teu pensamento,
quem sabe, vacile; epor um fio
penda tua vida.
Naquele instante que antecede a queda
talvez recordes tuas alegrias e do mundo
faças um balanço e rias do nada
que restou ao fundo de teus dias.
Por um segundo, tua sede de viver
será tua esperança; e voltarás
como criança os olhos para o Infinito,
à espera de um milagre. E então, aflito,
sentirás que teu ser se desmorona.
Já não há quem te consagre
seu afeto, uma frase ao menos
que te oriente rumo à noite;
nem mão que te seque o silente
pranto e aplaque o pavor em que te abismas.
Nessa hora, quando nada mais esperes,
lança teu olhar para além da treva
e esquece teus temores.
Vê como tuas mãos se despetalam
e teus membros flutuam
ao sabor dos ventos, e teus mais belos
pensamentos deslizam sobre a eternidade,
enquanto milhões de vezes nasce e se põe
o Sol sobre o que foi tua vaidade.


Eduardo Alves da Costa

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