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E depois, o que virá?

O que virá depois da curva, depois do verme, depois da cura?
O que virá depois da onda, depois do sonho ou do jantar e da novela?
O que há afinal, do denso escuro dos teus olhos, em teu estranho coração?

E o que há de ser?
O que há de ser do monstro sem o medo?
Da longa sombra sem a forte luz?
Do escuro, sem o seu claro?
Da noite breve, sem o longo do dia?
Desse sabor sem tua língua?
E da tua língua sem minha boca?

E depois do depois, o que virá?




A tua boca anda oca, sem minha língua, sem minha língua.
A minha língua anda à míngua, sem tua boca, sem tua boca.
Exatos são teus olhos que me invadem e me relevam teu coração.
Exata é a cor do teu desejo.
A cor do teu desejo.
Exatos são teus beijos que me acertam e a ti revelam meu coração.
Exata é a cor do teu deserto.
A cor do teu deserto.
Exatos são teus beijos que me invadem e me relevam teu coração.
Exata é a cor do teu deserto.
A cor do teu deserto.
Exatos são teus beijos que me acertam e a ti revelam meu coração.
Exata é a cor do teu desejo.
A cor do teu desejo.
A tua boca anda oca, sem minha língua, sem minha língua.
A minha língua anda à míngua, sem tua boca, sem tua boca.

A cor do desejo

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