Desculpe-me mas me desconheço
Não sei por que cargas d'água agi assim, ou assado...
Não sei de onde vem o que se passa em mim
É coisa que se atravessa que não se interessa e quando vê já está presente
É coisa estranha que se esconde nas entranhas, no escuro do peito.
Desconheço-me
Como posso então, ousar desejar algo de mim?
Como posso então, ousar esperar algo coeso, concreto e retilíneo de uma existência tão sinuosa e tão turva?
Como posso apresentar-me à ti e dizer, olá, sou fulana de tal!
Se desconheço meu bem e ignoro meu mal?
Realidade e sonho se misturam, já não sei raciocinar
Emoções e situações já não são mais as mesmas, estou estranha, pareço louca, já não sei o que pensar
Perdida em minhas paragens procuro o céu que há muito se esconde e se revela, parece comigo brincar...
Desculpe-me se me desconheço
Mas sou franca em dizer
Que não sou tão gente que não tenha em mente que na verdade, jamais existi, sou uma farsa,
Com os olhos fechados em um sono longo
Também não sou tão crente que já não tenha duvidado das mentiras que digo, e quer por vezes, acredito
Estou perdida, e a dor que sinto não dói no peito, e nem dói na carne
Na verdade já não sinto mais nada e é isso que me está enlouquecendo..
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